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Capítulo 23: Vivendo em segredo
(por CarolF, adicionado em 9 de Novembro de 2003)
As duas entraram na igreja. A missa já havia começado. Luísa era católica, no
entanto havia deixado de participar dos cultos após o divórcio. Não se sentia mais
bem-vinda. Apoiou a mão sobre o ombro de Mariana e a conduziu até um banco.
No assento, um livro de cantos e um folheto. A voz do padre ecoava pelas paredes,
branda, amável. Mariana avistou lá na frente, perto do altar, umas senhoras com
camisa cor de creme, que lançaram olhares curiosos sobre as duas, talvez notando
que fossem visitantes.
A missa seguia e Luísa parecia respeitar muito aquele momento. Manteve-se séria
e atenta o tempo todo. Mariana distraía-se olhando tudo em volta, e notou duas
mulheres que estavam no banco da frente. Uma loira e outra morena. Às vezes se
olhavam, outras vezes a loira colocava o braço por cima do encosto, atrás das
costas da outra, parecendo querer protegê-la. Aparentavam trinta anos. E quando a
morena virou de lado, Mariana viu o belo perfil de seu rosto. Por um instante teve
certeza que as duas se amavam, assim como ela e Luísa. Por mais que fossem
discretas, ultrapassavam alguns limites.
Quando começou a tocar a música para as pessoas se cumprimentarem, as duas
mulheres se abraçaram e não se soltaram mais. Pareciam emocionadas. Mariana
não conseguia mais ver. Formou-se um bolo de pessoas, que saíram de seus bancos
para abraçar uns aos outros. Um momento desorganizado. Mariana cumprimentou
várias pessoas e quando se deu conta, a loira da frente estendia a mão para ela.
Seus olhares se cruzaram. A mulher sorriu para Mariana e segurou sua mão um
segundo, depois soltou e cumprimentou Luísa. Antes de sentar-se novamente,
olhou para trás, Mariana sorriu. Em seguida, a jovem olhou para Luísa ali do lado.
Será que ela havia notado que as mulheres da frente eram como elas? Luísa deu um
lindo sorriso para Mariana e disse bem baixinho:
- Presta atenção nas palavras do padre, meu amor…
E encostou a mão de leve na mão de Mariana, fazendo carinho. Vou pedir para
Deus nos abençoar, pensou Mariana, apertando os dedos de Luísa e olhando para
as duas da frente. De repente uma emoção muito forte tomou seu corpo. Vou
contar ao padre que eu amo Luísa. Ele vai entender. Ele precisa nos abençoar.
Precisamos da proteção de Deus também como todos os outros. Pensou todas essas
coisas e de repente inclinou a cabeça sobre os joelhos. Luísa se assustou:
- Mariana, o que houve? – perguntou sussurrando.
Mariana levantou a cabeça, com os olhos cheios de lágrimas:
- Vamos embora, Luísa, por favor. Não estou me sentindo bem.
Luísa notou que era sério. As duas imediatamente levantaram e tentaram sair
discretamente pela porta lateral. Já do lado de fora, Mariana sentou numa pedra
que havia no jardim. Luísa agachou-se, bem próxima:
- Respira fundo, Mariana… isso…
Mariana feito criança tentava se controlar, com os olhos tristes e os lábios
vermelhos, enchendo o peito de ar. Mariana era assim. De vez em quando
explodia:
- Não gosto da igreja católica – disse.
- Não diga uma coisa dessas… – respondeu Luísa – venha, vamos tomar um suco ou
um refrigerante bem gelado, o que você quiser. Ou uma caipirinha. Pelo jeito tem
alguém aqui precisando.
Mariana sorriu. A essa altura a missa já havia acabado e as pessoas saíam aos
montes. Algumas pessoas querendo ser gentis pararam para perguntar o que havia
acontecido com Mariana. Um menininho pré-adolescente aproximou-se:
- É o calor, não é mesmo? – disse, tomando a liberdade de tocar a testa de Mariana.
Mariana resolveu levantar-se antes que formasse um bolo ainda maior ali em volta.
De repente chegam às duas mulheres. Uma do ladinho da outra, exatamente como
um par. A loira toma a iniciativa de ajudar Mariana a “terminar” de se levantar,
segurando firme em seus braços, dando realmente a impressão de que Mariana
estava prestes a cair. A essa altura, Mariana já estava super sem graça. Só queria se
livrar logo daquela situação. Olhando bem o rosto da loira podia arriscar que era
médica ou dentista:
- Olha, eu sou médica… você está se sentindo bem? – na mosca.
E tocou o pescoço, a testa, os pulsos. Não dava para saber se era um afago ou
estava examinando a menina.
- Está tudo bem. Tudo bem, tudo bem… disse Mariana a cada uma das pessoas,
para que a pequena confusão se desfizesse.
As duas acompanharam Mariana e Luísa até a saída:
- De onde vocês são? – perguntou à morena.
Não era difícil notar que não eram das redondezas. Luísa parecia uma estrangeira
com aquela pele clara. Linda. A conversa só tomou corpo quando Luísa descobriu
que a de cabelos castanhos (chamada Fernanda) havia sido aluna de seu pai durante
a graduação em São Paulo. Era a própria Luísa quem costumava brincar que sua
família era quase uma máfia de professores. E em diversas áreas do conhecimento.
Talvez por isso Luísa fosse assim, tão dedicada, tão especial, e ao mesmo tempo
tão cobrada. Talvez este pequeno fato tenha sido o estopim para uma grande
conversa que se estendeu até os quiosques do calçadão. E assim ficaram Luísa e
Mariana, Fernanda e Vanessa (a loira), conversando naquele final de manhã.
- Infelizmente mal tivemos tempo de sair do hotel. Estamos hospedadas logo ali -
disse Luísa, apontando o dedo para longe.
Todo mundo olhou para tentar ver. Mas nem mesmo Mariana conseguiu localizar.
Estava atrás de alguns prédios.
- E quando vocês vão embora? – perguntou Vanessa.
- Hoje à noite – respondeu Luísa.
- De jeito nenhum. Vocês têm que ficar mais uma noite. Vamos sair com elas,
Nanda? – disse a loira sorrindo, jogando os ombros na direção da outra.
- Mas que tipo de lugares vocês gostam? – perguntou a morena, já entusiasmada
com a possibilidade.
Mariana e Luísa se olharam. Luísa ficou indecisa e sorriu, tentando avaliar a
possibilidade de estenderem mais um pouco a viagem, mas não deu a palavra final.
Trocaram telefones e se Luísa conseguisse remarcar o vôo e resolver alguns
detalhes e sairiam às quatro.
Chegando ao quarto, Luísa se jogou na cama:
- Vem cá, vem…
Mariana deitou-se e a abraçou. Luísa acariciou os cabelos da menina, olhando para
o teto:
- Sabe Mariana. Gostaria de ter dedicado um pouco mais de tempo para você, para
nós duas, ter saído com você… Ter te visto com aquela blusinha sua que eu adoro.
Sabe aquele frente única?
- A vermelha?
- Não, aquela meio prateada. Você trouxe?
- Está lá no meu quarto.
- Nossa… – disse Luísa, de olhos fechados, imaginando Mariana linda daquele jeito
em seus braços, dançando.
E de repente virou-se por cima de Mariana e a olhou dentro dos olhos, segurando
nos pulsos, a um centímetro de distância. Mariana sorriu, gostando. Adorava
quando Luísa se deixava ficar assim deitada, conversando, sem pressa:
- Então vamos ficar mais uma noite… – pediu Mariana, com aquele jeitinho
irresistível.
- Não pede assim que eu não agüento…
Mariana começou a sussurrar dentro do ouvido de Luísa:
- Por favor, por favor, por favor, meu amor…
Foi descendo pelo pescoço, sussurrando coisas, beijando bem de leve. E os cabelos
lisos de Luísa acariciando seu rosto, trazendo aquele delicioso perfume:
- Quero poder ficar ao seu lado, dançar com você… E se elas levarem a gente para
algum lugar chato? – perguntou Luísa no ouvido de Mariana, de olhos fechados.
- Eu acho que não… – disse Mariana, estremecendo ao sentir os lábios de Luísa em
sua orelha.
- Tem certeza?
- Absoluta…
- Você é espertinha… quem te ensinou essas coisas? – perguntou, notando que
Mariana também percebera algo entre as duas.
Mariana sorriu, oferecendo mais ainda o pescoço. Luísa beijou, devagar. Primeiro
o pescoço, depois os ombros. Mariana já estava ofegante. Luísa adorava a rapidez
com que Mariana se excitava com seus carinhos. E quando colocou a mão na
cintura da menina, para sentir sua pele quentinha, o telefone tocou. Luísa apertou
os olhos, como se não acreditasse. Olhou no relógio. Já era quase duas horas da
tarde. Alguém queria confirmar a participação de Luísa nos debates.
- Sim. Por favor, avise que já estou descendo – disse Luísa, batendo o telefone em
seguida.
Esfregou o rosto. Respirou fundo. Olhou para Mariana ali deitadinha. Mais uma
vez teria que ir:
- Vou tomar um banho e preciso descer…
Mariana levantou-se e caminhou até Luísa. As duas se abraçaram.
- Vê se come alguma coisa, Mariana. Nem almoçamos…
Mariana colocou a mão sobre os lábios de Luísa, para que se calasse:
- Se você não comeu, eu não vou comer também. Vou te esperar – disse a jovem,
com os olhos apaixonados de sempre.
Luísa sorriu, achando graça daquele jeito sensual que Mariana tinha a maior parte
do tempo. Antes que Mariana saísse, Luísa disse:
- Prometo a você que vou fazer o possível e o impossível para ficarmos mais uma
noite…
Mariana sorriu e saiu.
Capítulo 24: Pecado
(por CarolF, adicionado em 9 de Novembro de 2003)
E foi andando pelo corredor, um pouco apressada. Estava feliz, entusiasmada,
procurando a chave do quarto na bolsa. De repente um vulto atravessa suas costas.
Mariana pressente o pior. O homem a agarra pelos ombros e a empurra contra a
parede, numa entrada um pouco escura perto das escadas. Era o velho rabugento:
- O que há entre você e ela, menina? Me conta! – dizia o monstro, com a voz
trêmula, incontrolado.
Estaria louco? O coração de Mariana disparou, seu corpo congelou. Estava travada,
com medo daquele animal. O homem continuava apertando seus braços. Mariana
deu-se conta do absurdo, mas as palavras não saíam de sua boca. Tentou empurrá-
lo, mas era pesado feito uma viga de madeira. Era como tentar empurrar uma
árvore fincada no chão. O homem continuava ali, atordoado. Conta-me menina, o
que há entre vocês. Conta-me o que vocês duas fazem. Eu também não sou santo,
dizia, tremendo. Mariana olhou dentro dos olhos do monstro. E viu neles toda a
perversidade que jamais imaginou. Estaria à espreita há quanto tempo? Ele não
ousava pensar no que havia entre as duas e que tanto o incomodava. Não se dava
conta do ridículo. Havia nos olhos daquele homem um misto de prazer e terror. E o
cheiro da pele e do hálito dele era o cheiro do inferno:
- Me conta menina! – disse ele quase gritando.
Monstro irracional. Mariana sentiu medo. Não havia ninguém por perto. Mariana
estava tensa. Não entendia. Tentou respirar fundo. Eu o controlo se controlar
minha própria mente, pensou:
- Por que está tão preocupado? Aconteceu alguma coisa grave? – perguntou a
menina, tentando se fazer de desentendida, de maneira tão tranqüila que até mesmo
ela se surpreendeu.
A tranqüilidade era apenas aparente. Mariana estava desesperada ali sozinha diante
daquele maluco. O homem afrouxou as mãos. Ainda estava atordoado, com um
olhar que Mariana jamais havia visto. Ficou calado. Talvez tivesse dado conta da
insanidade. Ficou olhando para o chão. Só então Mariana arrancou os ombros de
suas mãos, livrando-se do constrangimento e saindo daquele corredor espremido.
Andou sem olhar para trás. Foi para o quarto, quase correndo, sentindo ainda
aqueles dedos em seus braços. Olhou, mas não havia marcas. Que momento
terrível, um pesadelo. O que foi exatamente aquilo? Suas mãos tremiam. Bateu a
porta com raiva. Desabou. Chorou. Chorou muito. O que aquele monstro
pretendia? Aonde ele queria chegar? Mariana sentiu nojo daquele velho. Aqueles
poucos segundos foram os piores de sua vida. Mas está tudo bem agora, dizia a si
mesma. Nada aconteceu. Estou bem, graças a Deus. Entrou no banheiro. Mal
conseguia se olhar no espelho. Queria se lavar, se livrar daquela sensação. Entrou
debaixo do chuveiro quente. Chorou mais. Mariana era uma menina. Não sabia
como lidar com essas coisas.
Ficou meia hora embaixo d’água, lavando o corpo, até conseguir relaxar, respirar
aliviada. Estava exausta. Enrolou-se em uma toalha branca e caiu na cama.
Desejou estar em casa, em sua cama. Ou no apartamento de Luísa com ela. O
corpo estava cansado, frouxo sob a toalha quentinha. Sentia-se melhor. Pensou em
Luísa. Ele não seria louco de fazer isso com ela. O covarde escolheu a menina.
Puxou o travesseiro para perto. Quis esquecer. Pensou em Luísa. Queria ir embora
dali com ela. Ficou deitadinha e acabou dormindo.
Aproveitando o intervalo, Luísa subiu correndo. Sentiu falta de Mariana. Bateu na
porta. Puxou a maçaneta. Mariana dormia, com as pernas de fora, enroladas na
toalha:
- Amor, como que você dorme assim com a porta aberta? – disse Luísa, mexendo
em Mariana para que acordasse e puxando a toalha para tapar suas coxas.
Quando Mariana virou-se, Luísa notou seus olhos inchados. Percebeu algo errado:
- Mariana, o que houve? – perguntou.
Mariana tentou levantar para desconversar:
- Caí no sono… – respondeu, caminhando em direção ao banheiro.
Luísa levantou-se da cama:
- Mariana, volta aqui. Olha para mim. O que houve? – perguntou de novo,
apreensiva.
As duas se olharam. Mariana não tinha a intenção de contar nada. Para ela, já tinha
passado. Mal queria lembrar. Bem ou mal não havia acontecido nada de grave,
apenas um incômodo, um constrangimento. Mas Luísa notou algo de errado e
começou a ficar nervosa:
- Mariana, me diz o que houve. Seus pais telefonaram? Aconteceu alguma coisa?
- Não foi nada, me deixa trocar de roupa… – respondeu de novo, olhando para o
chão, tentando se desvencilhar daquele olhar sagaz de Luísa.
Notando que Mariana ia se virar de costas de novo, Luísa a segurou pelos braços:
- Por favor, Mariana – disse mais nervosa ainda – me conta o que houve…
Mariana abaixou a cabeça e colocou as mãos sobre o rosto, como se fosse chorar:
- Me solta, você está me machucando…
Luísa imediatamente soltou:
- Desculpa…
E sentou na beira da cama, respirou fundo, ajeitou os cabelos, esfregou os olhos.
Como fazia falta um cigarro nessas horas. Mariana ficou ali parada, olhando. Não
gostava de ver Luísa tão preocupada assim. Então resolveu sentar do lado e dizer
alguma coisa. Mas não disse tudo. Luísa estava muito nervosa. Explicou que havia
sido o velho ranzinza:
- Fui perguntar uma coisa a ele e ele não teve paciência de me explicar, me tratou
mal, sei lá. Fiquei chateada. Ele é muito grosso…
Mariana mal teve tempo de terminar de falar e Luísa virou um bicho:
- Ninguém vai te tratar mal, Mariana, ninguém. Quem esse sujeito pensa que é? -
disse, tentando organizar os pensamentos.
Mariana se surpreendeu. Sabia que de qualquer maneira Luísa não ia gostar, mas
achou que inventando uma história mais branda, Luísa deixaria passar. Mas não:
- Eu sei bem qual é o problema dele com você – disse, quase gritando, com os
olhos fixos nos olhos de Mariana – aliás, eu sei bem qual é o problema dele com
nós duas. Mas ele não é homem o suficiente para me destratar. É um covarde. Eu
vejo bem como ele te trata, mas já está entalado aqui na minha garganta.
Luísa foi em direção a porta. As pessoas querem nos controlar, disse. E pensou
mais um pouco:
- Mas nós já somos discretas o suficiente. Até demais para o meu gosto. Vou ter
uma conversa civilizada com ele e se ele te tratar assim novamente eu acabo com
ele – disse, já tentando se acalmar.
Antes que Mariana pudesse dizer algo Luísa saiu. Luísa era assim ameaçadora
quando ficava brava. Nem Mariana sabia dizer se ela tinha mesmo esse poder todo.
Luísa era geniosa, mas não gostava de escândalos. Essa era uma luta constante de
sua personalidade. Provavelmente tentaria ser civilizada. Talvez nem se
incomodasse tanto, pois o sujeito tentaria se fazer de polido.
Mariana ficou ali. Não havia nada que pudesse fazer, a não ser esperar. Ficou
preocupada, mas tentou relaxar. Só queria esquecer aquele episódio. Não queria
que Luísa soubesse jamais do que realmente aconteceu, que ele havia a segurado
pelos braços e a prensado contra a parede. Mariana não estava acostumada a esse
tipo de tratamento, muito menos por parte de um estranho. Ficou inquieta durante
quase vinte minutos até Luísa voltar.
Luísa entrou e encostou a porta. Estava séria, mas parecia muito mais calma.
Mariana estava preocupada, sentindo-se um pouco culpada por ter causado tudo
aquilo. Luísa se aproximou:
- Ele não vai mais fazer isso. Ele disse que se você o quiser vem até aqui pedir
desculpas.
Mariana se enojou. Cínico, pensou.
- Não, eu não quero. Quero encerrar esse assunto, tudo bem?
Luísa se aproximou mais um pouco. Abraçou Mariana:
- Promete uma coisa para mim?
Mariana ficou ouvindo:
- Nunca se cale diante de uma coisa dessas. Você precisa se defender. Começa
assim, com um olhar maldoso, um gesto áspero. Depois, se você se calar,
menosprezo, humilhação e até coisas piores.
- E o que você disse a ele?
- Mariana, eu não tenho intenção de nos expor, você sabe. E se ele não fala
abertamente qual é o problema, não sou eu quem vai falar isso por ele. Eu disse a
ele pela segunda vez que ele está sendo grosseiro, estúpido, que você me contou o
que houve e que se ele continuar agindo assim com você eu mesma vou
encaminhar esse assunto para que seja resolvido. Ou dentro da universidade, ou
fora, pela justiça, sei lá. O que interessa é que ele saiba que não tenho medo de
contar a quem quer que seja o que está acontecendo, que estou enxergando bem,
que não vou me sujeitar a nada.
Luísa enfim sorriu e encerrou o assunto. Respirou fundo, passou o nervosismo:
- Bom, mas agora vamos ao que interessa. Tenho boas notícias.
Mariana sorriu:
- Eu quero saber…
Luísa fechou os olhos:
- Só se você me der um beijo bem aqui – disse, com os dedos sobre os lábios e o
queixo.
Luísa era encantadora quando fazia essas coisas. Mariana beijou o dedo, depois a
boca. E se abraçaram de novo, com força, desejo. Talvez isso que assustasse tanto
as pessoas. Essa energia toda, esse amor incansável, que se deixava mostrar às
vezes nos pequenos gestos, especialmente para aqueles que já estivessem à
espreita, esperando um pequeno deslize para confirmar suas suspeitas, como foi o
caso daquele homem, que enxergava nas entrelinhas algo que não queria ver, algo
que não conhecia, mas que para ele era horrendo, imoral e ao mesmo tempo muito
instigante.








Well said. I never thought I would agree with this opinion, but I’m beginning to view things differently. I have to research more on this as it seems very interesting. One thing that is unclear to me though is how everything is related together.