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Capítulo 28: Porto Alegre
(por Carol F, adicionado em 21 de Dezembro de 2003)
Mariana tinha vontade de morar no Rio Grande do Sul. Silvinha disse que tinha um
grande amigo lá, que poderia ajudá-la no que fosse preciso. Mariana pensou e
repensou, tentando tomar uma decisão madura. E decidiu. Iria mesmo para Porto
Alegre, o mais rápido possível. Estava decidida e cheia de coragem. Mas, no dia da
viagem bateu uma grande insegurança. Daria certo? Mariana sentiu-se frágil,
perdida. Sozinha naquele apartamento improvisado terminou de ajeitar as malas
que mal tinham sido desfeitas após a viagem para o Rio. Era, sem dúvida, uma
daquelas decisões que se toma na vida que pode mudar totalmente o seu percurso.
Mas Mariana apostava que seria bom. Aquele final de ano havia sido tumultuado,
difícil demais. Preciso ir embora, esquecer tudo isso, recomeçar, dizia a si mesma,
enquanto terminava de arrumar as malas. De repente, o interfone toca:
- Dona Edith? Pode mandar subir…
Dona Edith? Que surpresa. Mariana correu para abrir a porta e ficou esperando ela
chegar. Abraçaram-se. Mariana a adorava e respeitava muito:
- Entre, por favor…
Edith entrou, olhando o local de canto a canto com um sorriso no rosto, os cabelos
brancos bagunçados e aquele ar meio fora da realidade:
- Menina, menina… – disse Edith.
Edith falava as coisas com calma, fazendo certo suspense. Mariana apenas
sorria e a olhava fixamente, enquanto a mulher andava de um lado para o outro,
olhando tudo com curiosidade:
- Sente-se aqui comigo, menina.
As duas sentaram no sofá, bem juntas. Edith segurou e alisou as mãos de Mariana,
antes de começar a falar, exatamente como uma pessoa vivida faz quando vai
aconselhar um jovem:
- Estou sabendo que você vai embora, não é mesmo? – perguntou Edith.
- Sim. Estou indo embora daqui a poucos minutos.
- Sim, sim… – disse a senhora, com ar pensativo.
Edith a tratava como se fosse uma menina. E Mariana a olhou bem fundo nos
olhos, aqueles olhos sensíveis e ao mesmo tempo muito fortes:
- E você vai mesmo para Porto Alegre?
- Sim, eu vou… – disse Mariana – está tudo pronto.
E olhou para as duas malas no canto da sala:
- Quer dizer, não tenho muito que levar, mas tenho minhas economias e um
amigo que me espera por lá. Vou começar do zero.
- Porto Alegre, boa escolha. Importante essa sua decisão. Sinto que está muito
convicta e é muito forte – disse ela, cheia de sentimentos – vim desejar-lhe boa
sorte.
Sua experiência era capaz de entender bem o momento que Mariana estava
passando. E ela continuou dizendo, enquanto acariciava as mãos da menina:
- Tenho um apartamento em Porto Alegre que está há muito tempo desocupado. É
um pouco antigo e precisa de alguns pequenos reparos, mas nada que não possa ser
adiado mais um pouco. Preferi não alugá-lo, sabe. É melhor emprestá-lo a alguém
confiável. Você já tem onde ficar?
Mariana surpreendeu-se:
- Na verdade, eu vou ficar na casa de um rapaz, amigo de uma grande amiga
minha, até conseguir me acertar.
Edith ergueu as sobrancelhas e sugeriu, cheia de seriedade:
- Por que você não fica no meu apartamento, Mariana? Será muito mais
confortável e econômico. Não cobraria nada de você.
Mariana admirou-se com a gentileza, mas não sabia o que dizer:
- Edith, eu não sei bem o que falar – disse, levantando-se do sofá.
Edith levantou-se também:
- Mariana, se você não quiser eu entendo. Talvez já tenha outros planos. Mas saiba
que não é a primeira nem a última pessoa a quem vou oferecer – disse, sentando-se
novamente.
A velha senhora respirou fundo e continuou, com aquele jeito sereno:
- Antes de você, tive o privilégio de hospedar em meu apartamento uma amiga que
concluiu o mestrado por lá. Fico satisfeita em ajudar pessoas responsáveis como
você, Mariana.
Mariana sorriu:
- A senhora está sendo tão gentil que não sei bem se posso aceitar – disse, tentando
organizar os pensamentos – deve ser caro manter um imóvel assim em outra
cidade.
- Mariana, meus gastos serão os mesmos, como você lá ou não. A diferença é que
se você aceitar, ficarei satisfeita por ele estar sendo útil a uma menina tão especial
como você.
Mariana a olhava atentamente, receosa e verdadeiramente surpreendida pela
gentileza e pelos elogios daquela senhora. Edith apenas esperava, com serenidade,
pela decisão da menina. Mariana pensou mais um pouco e resolveu:
- Eu aceitaria sim, se a senhora deixasse pagar o condomínio e os impostos, pelo
menos. E depois, mais para frente, eu poderia pagar o aluguel.
Edith sorriu, achando graça:
- De jeito nenhum, menina. Estou oferecendo justamente para que não gaste com
aluguel…
Mariana sorriu também. Era difícil dobrar Edith:
- Pelo menos o condomínio?
A senhora tirou de dentro do bolso um molho de chaves:
- É seu menina. Me dá um papel para eu anotar o endereço para você.
Edith anotou o endereço e deu muitos conselhos a Mariana. A jovem sentiu-se feliz
com aquela visita inesperada e mais preparada para o desafio.
Capítulo 29: A viagem
(por Carol F, adicionado em 21 de Dezembro de 2003)
Mariana iria sozinha, dirigindo. Todos que souberam da viagem acharam arriscado
Mariana pegar a estrada sozinha, mas ela, cabeça-dura, mais uma vez quis que
assim fosse assim e assim foi. Já tinha experiência em descer com o pai até as
praias de Santa Catarina, então, para ela, bastava descer mais um pouco. Silvinha
quase perdeu as estribeiras. Queria que esse amigo, chamado Carlos, viesse para
viajar com Mariana. Mas a jovem gostava de ser independente e, além do mais,
queria ir sozinha, refletindo.
Antes de sair da cidade, passou no prédio onde Luísa morava. Bateu a porta do
carro e correu até as escadas. Aproximou-se da janelinha, com aquele ar inquieto,
rebelde, e chamou pelo porteiro. Os dois se abraçaram:
- Oi, tudo bem? Lembra de mim? – perguntou Mariana, sorridente e apressada.
- É claro que sim – respondeu o velho senhor, sorridente.
- Faz um grande favor? – perguntou.
E, meio sem jeito, entregou-lhe um pedaço de papel:
- Entrega isso aqui a Luísa, se um dia ela aparecer por aqui.
O homem olhou o pedaço de papel por alguns segundos, com certo distanciamento,
o dobrou e guardou numa gaveta.
- Faz tempo que ela não aparece, viu? Acho que a família vai vender o
apartamento.
Mariana emudeceu. O homem continuou, sem perceber os sentimentos da menina:
- A doutora Luísa está se dando muito bem na França. Acho que não volta nunca
mais. Aqui não tem lugar para pessoas inteligentes como ela.
Mariana sorriu, com certo esforço, tentando ser gentil. E ele continuou:
- O jeito é ir para fora mesmo. Lá eles ganham bem, são valorizados, sabe?
Mariana ficou muda. Não era bem assim, mas tinha que concordar em parte. Na
verdade, ouvir qualquer coisa sobre Luísa era difícil, ainda mais aquilo. Mas ele
tem razão, pensou. Eu é que tive a sorte de ter uma mulher como ela na minha
vida, ainda que por pouco tempo, disse a si mesma, em silêncio. Com esforço,
conseguiu disfarçar e se despediram. Mariana pegou a estrada, pronta, preparada,
pensando em algumas das palavras de Edith: nos primeiros seis meses ou até o
primeiro ano, você vai estar tão absorvida com suas novas experiências que vai
esquecer tudo e todos. Mas depois disso, querida, todos os problemas que te
fizeram deixar essa cidade vão voltar, porque nossas angústias, dúvidas e desejos
nos acompanham onde quer que estejamos. O que você precisa minha jovem é
estar mais madura e preparada para começar a resolver estas questões.







Taty,
Parece mesmo que qdo começa a cair o mundo realmente cai o mundo, e td parace desmoronar. Temos ue respirar fundo, colocar as ideias no lugar e se for para fazer as malas e sumir, que tomemos essa decisão conscientes, pois somente assim teremos maturidade para continuar. Esse romanance está cada vez mais envolvente.
bjs
Eni
Amiga dá mesmo vontade de mudar, pegar a mala e ir em busca de novos ares, novas coisas, novas emoções, mas me pergunto se tudo vai adiantar quando o que se quer é arrancar do coração tanta coisa…e o que se deseja é alguém para te abraçar, como diz na trilha sonora, e todo amor que há em mim e não passo…mas agora eu vou!!!!
Mais uma vez tudo de bom e a cada dia mais interessante e emocionante…uma vontade de continuar as páginas, rsrsrs
beijão no seu coração lindo de morrer!!!
Continua a historia quero saber se Luisa vai voltar
Acho que eu tô precisando disso.. Uma mudança total na minha vida.. rss
Algum problema isso deve resolver neh =x
Nossa…
A cada dia a história fica mais empolgante, prende mesmo a gente…
Às vezes acontece isso mesmo… parece que tudo vem ao mesmo tempo, e a gente sente que é preciso fazer uma revolução em nossa vida!!
Só que, se temos quem amamos do nosso lado, é tudo tão mais fácil… Ao contrário, quando não temos a pessoa que amamos para nos apoiar, como fica tudo complicado!!!
Amando tudo aqui!!
Beijos!!