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Hoje farei diferente… deixo dois vídeos para assistirem.
Capítulo 34: A festa
(por Carol F, adicionado em 29 de Dezembro de 2003)
Clara era uma mulher que provocava os sentidos e Mariana não se orgulhava nenhum pouco de ter desprezado aqueles carinhos. Estava de certa forma, perturbada, mas, por outro lado, despreparada para o que quer que possa acontecer entre as duas. Clara merece muito mais do que eu posso oferecer, pensava, tentando ser racional. Depois daquele episódio, Clara sumiu como era de se esperar. Mariana entendeu. Santiago, não. Perguntava a todo o momento.
Mariana às vezes irritava-se com a insistência do menino. Queria mesmo é esquecer o assunto. Sozinha com o menino, perguntava em segredo:
- Você fugiria comigo para a França?
O menino dizia que sim, mesmo sem entender. Mariana sorria. Sabia que era fantasia, mas aquilo divertia e confortava. Caminhava com o menino de mãos dadas na Praça Brigadeiro Sampaio, debaixo daquele sol tímido e gelado. E sorria, olhando o pequeno Santiago ali do lado, embrulhado em um monte de casacos.
Sentaram-se embaixo de uma árvore de copa larga.
- Você é o que eu tenho de mais precioso, sabia? – disse a ele.
- Sim – respondeu, distraído com as folhas pelo chão.
Mariana olhou tudo em volta. Lembrou do que Edith costumava dizer: o que você quer… Você já tem. O que exatamente significava? Olhou Santiago ali do lado brincando com as folhas. Há quanto tempo havia visto aquela criança desconhecida, tímida e desamparada, e se apaixonado? Muito tempo. E hoje estava com ele, ali, naquela cidade distante, debaixo daquela árvore. No dia seguinte o levaria até a avó para passar a semana, seguindo o ritual que já se estendia por meses e meses. Estava bom assim, confortável para as duas partes. Assim Mariana aliviava a senhora durante os finais de semana. A avó de Tiago era uma mulher muito simples que fazia serviços domésticos. Tinha afazeres durante a noite e finais de semana.
Começava a semana, a rotina. Relatórios e números. Aulas, alunos. Lecionar havia sido uma surpresa para Mariana. Não considerava a hipótese, e ainda estava se adaptando, tentando se encontrar, decidindo se era aquele mesmo o caminho.
Lembrava tanto de Luísa, cada vez que pisava na sala de aula e falava para todos aqueles rostinhos. Luísa a apoiaria tinha certeza. Costumava valorizar o que
Mariana fazia.
Engraçado a fidelidade das crianças. Santiago perguntava de Clara a todo instante.
Mariana tentava lembrar se ele havia deixado de mencionar o nome dela pelo menos um final de semana. Carlos, sempre presente, se divertia. Segurava o riso, mas não dizia nada.
No seu íntimo, Mariana ainda tinha marcas. Cada vez que verificava o e-mail e não encontrava a tão esperada mensagem de Luísa, decepcionava-se. Covarde, chegou a pensar. E lembrou-se de ter dito que não a perdoaria se ela fizesse assim.
Mas a vida seguia seu curso, dia após dia, independente da desordem dentro de
Mariana.
Setembro. Aniversário de Mariana. Carlos emocionado, entusiasmado:
- Seu primeiro aniversário em Porto Alegre – e a abraçou forte, levantando-a do chão.
Mariana riu, agarrando-o com as pernas. Carlos tentou se livrar, rindo:
- Vamos batizá-la, gauchinha. Já está até com sotaque – brincava.
- Impossível. Coisa da sua cabecinha oca.
Os dois se sentaram ofegantes depois da brincadeira:
- Vamos fazer a lista de convidados – disse Carlos.
Foi escrevendo enquanto Mariana observava e dava palpites. Haveria três festas.
Um happy hour depois do expediente com os colegas de trabalho, uma festa à noite com Carlos e os amigos que tinham em comum e outra no sábado à tarde, dia seguinte, simbólica, para Santiago. Carlos, bom amigo, providenciaria quase tudo.
Era perito em festas. Decorou a sala inteira, arrumou espaço para todos, escolheu as bebidas, as músicas, os aperitivos e opinou até na roupa de Mariana:
- Isso, isso… Tá linda. Agora, sapato com salto alto, não me decepcione! – dizia deitado na cama de Mariana, observando ela se arrumar.
E continuava:
- Decote discreto, calça jeans e salto alto. Não tem erro. Sofisticada, linda, perfeita
- disse, olhando a amiga da cabeça aos pés.
Mariana olhou pra ele pelo espelho e sorriu:
- Você também está lindo, sabia?
Carlos enfim se calou e ficou sem graça, sentando-se na cama. Mariana virou-se pra ele e foi até a cama:
- Sabe, se você não fosse… Nem eu fosse… A gente poderia…? – perguntou, fazendo gracinha.
Carlos levantou-se, rindo, fazendo-se de escandalizado. Saiu do quarto e bateu a porta. Mariana ficou ali, terminando de se arrumar. Faltava escolher o casaco.
Fazia frio. Passou perfume no pescoço e pensou em Luísa. Já era mais de onze horas da noite. Tinha um fio de esperança que Luísa a escrevesse no dia de seu aniversário. Não resistiu. Pegou o laptop da empresa e acessou a Internet. Conferiu as mensagens, uma a uma. Novamente decepção. Ficou tão transtornada com a falta de Luísa que não deu importância aos e-mails de alguns amigos e antigos conhecidos. Desligou, mais uma vez ressentida. Sentiu-se tola. Mas isso não vai estragar a minha noite, pensou. Retocou o batom e foi pra sala, onde as pessoas a esperavam.
A sala já estava repleta de gente. O apartamento pequeno perto do centro da cidade dava um toque casual, urbano e excêntrico. Metade das pessoas Mariana conhecia a outra metade nunca havia visto. Coisa de Carlos. Cumprimentou todos, os abraçou um a um. Alguns fizeram a gentileza de levar um presente. Não era difícil notar que muitos homens eram gays, mas as mulheres exigiam mais observação, muita conversa e ainda sim às vezes ficava a dúvida. Carlos explicou a Mariana, enquanto servia bebida no canto da cozinha:
- Tenho muitas amigas mulheres, Mariana. Nem todas são lésbicas. Eu diria que aqui, me deixaeu pensar, talvez um terço seja. Talvez menos. Por quê? Está interessada em alguma?
Mariana riu, esforçando-se para fazer o tipo moderna:
- São muito bonitas, mas… – e retrocedeu um pouco – quem sabe numa outra oportunidade. Não vou me expor ficando com mulheres dentro da minha própria casa, né?
O rapaz riu também:
- Vejo que está progredindo. Quer dizer que já cogita a hipótese de entregar esse corpinho a alguém, mesmo que em segredo?
Levou as bebidas pra sala. Mariana pegou uns copos e foi atrás. Mais alguém chega, é a Clara. Boa surpresa. Simplesmente linda com blusa levemente transparente, insinuando o contorno da cintura e os seios e um casaco azul por cima. Foi até Mariana com um sorriso meigo e a abraçou forte. Que saudade, disse bem no ouvido. Sentou-se, em seguida, pra conversar com uns conhecidos.
Mariana ficou perto da janela, observando o movimento e a agitação das pessoas.
Clara tinha um rosto bonito, e o cabelo ficava lindo do jeito que costumava usar, jogado para trás e amarrado. A festa foi até muito tarde. Clara foi uma das primeiras a ir embora. Depois dela, a festa começou a esvaziar aos poucos. Os últimos foram embora perto das cinco da manhã.
Mariana trancou a porta, feliz, mas exausta. Fez um esforço para tirar a maquiagem e caiu na cama. Um ano mais velha. Pensou em Carlos. Gostava tanto dele. Pensou em Clara, no quanto era bonita. Pensou em Santiago. Carlos o buscaria e compraria um bolo. Tentou não pensar em Luísa, mas não conseguiu.







Cada capitulo fico mais ansiosa, e esse me deixou aqui esperando mais…Você consegue prender a gente com esse romance, realmente sabe como fazer isso.
bjs
Obs Dá para colocar outro capitulo?????Please??!!!!
Eni
A-D-O-R-O!
Sempre fantástico…
É mais um dia e Marina vai vivendo, nada como um dia depoisdo outro né? Espera as vezes é angustiante..
Ansiosamente esperando os próximos capitulos.
beijos e esta indo bem demais.