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Capítulo 35: Desejo
(por Carol F, adicionado em 29 de Dezembro de 2003)
Mariana tinha planos de deixar o apartamento de Edith até o final do ano, conquistar algo realmente seu. Tinha planos também de fazer pós-graduação, mas sabia que para isso teria que estudar mais língua estrangeira e preparar o pré-projeto. Talvez precisasse ser adiado mais um pouco. Mas seria assim mesmo, etapa por etapa. Mariana sabia que cada passo tinha o seu valor. Aquele aniversário na cidade nova era um marco importante. A menina sentia-se orgulhosa de si mesma. Às vezes tinha recaídas, sentia falta dos irmãos, do aconchego do lar, dos abraços dos pais, da segurança da família, do café quentinho que a mãe fazia.
Chorava sozinha muitas vezes, mas sempre passava. Carlos aparecia, trazendo algo para lancharem, ou revirando a geladeira:
- Deus me livre, Mariana. Não tem comida nessa casa – dizia inconformado, revirando os armários.
Mariana achava graça:
- Carlos, sou só eu… Eu quase não como essas besteiras que você e o Tiago gostam.
Carlos fez um olhar de desprezo, depois sorriu:
- Então faça o favor de comprar uns biscoitos que a gente gosta, de preferência de chocolate recheado.
Mariana pegou a chave da porta:
- Vou lá embaixo comprar. Você busca o Tiago pra mim?
O rapaz pegou a chave do carro e os dois desceram. No meio das escadas, Carlos sugeriu:
- Vamos chamar a Clara?
- Boa idéia.
Carlos admirou-se e sorriu:
- Você liga pra ela?
- Ligo. Que horas eu marco com ela?
- Sei lá. Umas três, quatro da tarde.
Os dois se separaram e Mariana foi caminhando pela calçada. Pegou o celular e telefonou para Clara:
- Oi, Clara. Tudo bem? – perguntou, com o coração agitado.
- Oi, Mariana – disse, reconhecendo a voz da menina – como foi a festa ontem, até tarde?
- Sim, até quase cinco horas. Pena que você foi embora cedo.
- Pois é. Eu estava com a garganta meio ruim e ainda estou com um pouco de mal estar.
Mariana parou perto de uma banca de revistas, onde não tinha tanto barulho da rua:
- É… Você está um pouco rouca… Eu ia te chamar pra vir aqui em casa. O Carlos vai trazer um bolo pra comemorarmos com o Tiago, só nós três. Eu queria que você viesse também.
- Poxa, Mariana. Vou fazer o possível, mas não estou muito bem mesmo. Que horas?
- Umas quatro horas. Vem Clara. Faz um esforço. Os meninos vão gostar – disse, com a sensação de que acabava de falar alguma besteira.
Clara ficou em silêncio. Mariana tentou remendar:
- E eu também vou gostar muito, Clara. Muito – disse, com a voz mais suave.
As duas se despediram e desligaram. O coração de Mariana estava acelerado. Foi até a padaria, comprou biscoitos, refrigerante, água mineral com gás. Subiu correndo, feliz, jogou tudo sobre a mesa da cozinha e entrou debaixo do chuveiro, bem quentinho. Estava frio. Lavou os cabelos, perfumou-se, ajeitou rapidamente a sala e secou os cabelos, enquanto esperava Carlos chegar com o menino.
Os dois chegaram, trazendo um bolo lindo, branco, com morangos. Colocaram sobre a mesinha da sala. Mariana deu um abraço forte em Santiago:
- Vem cá, Tiago, senta aqui. Como foi a sua semana?
Enquanto Mariana conversava com o menino, Carlos guardou as compras e colocou as bebidas pra gelar. Mariana ficou na sala com Santiago. O menino estava ansioso para comemorar o aniversário, com chapéu de papel, enchendo bexigas, fazendo bagunça. O interfone toca, era Clara. Tiago abriu um enorme sorriso.
- Agora sim estamos prontos – gritou Carlos, da cozinha, enxugando as mãos.
Mariana abriu a porta para recebê-la. Clara entrou e deu um abraço em Mariana, pegou Tiago no colo e foi até a cozinha. Carlos a olhou bem:
- Nossa como você está abatida, Clara…
Clara sorriu. Mesmo doente continuava bonita. Virou-se para Mariana:
- Mas fiz questão de vir – disse, com a voz meio fraquinha.
Os quatro foram pra sala e sentaram no chão, em volta da mesinha, apagaram as luzes e cantaram parabéns, naquele ambiente de amizade, quase familiar. Partiram o bolo, serviram refrigerantes. Mariana olhou mais uma vez os três ali em volta, sentiu-se feliz, como das outras vezes. Tiago no colo de Clara, comendo bolo.
Carlos revirando os CDs, escolhendo uma música.
Clara estava mesmo com o rosto cansado. Sentou-se um pouco no sofá, depois deitou sobre as almofadas, e continuou participando da conversa. O sol se pôs, escureceu. Carlos e Mariana foram para a cozinha ajeitar a bagunça. Tiago ficou empilhando blocos de brinquedo pelo chão, tentando construir algo. Clara, sonolenta, continuou deitada.
Já passava das sete da noite. Carlos estava indo embora. Ia sair com os amigos.
Beijou Mariana no rosto, desejou felicidades mais uma vez e partiu. Quando fechou a porta, Mariana viu Tiago chamando Clara. Correu silenciosamente em direção a ele:
- Deixa descansar, meu amor. Vem cá. É hora do banho – disse, sussurrando.
Clara estava dormindo. Mariana pegou o menino no colo e o levou dali. Colocou a criança no chuveiro. Já estava choroso, enjoado, cansado depois de tanta agitação. Preparou-o pra dormir e deixou que assistisse desenho.
Mariana voltou pra sala, e da porta, ficou olhando Clara dormir, ouvindo o barulhinho do desenho no fundo do corredor. Nessas horas, só tinha vontade de uma coisa: tê-la em seus braços. Quando a noite caía, os desejos afloravam.
Mariana caminhou lentamente em direção ao sofá e sentou na beirada. Ficou olhando rosto de Clara e pegou em sua mão, segurando os dedos. Clara, linda, mas ainda abatida, abriu os olhos e sorriu para Mariana.
- Quer ir pra minha cama? – perguntou Mariana.
Clara sentou-se, ainda desorientada.
- O Carlos já foi?
- Acabou de sair…
As duas ficaram em silêncio um pouco. Mariana chamou de novo:
- Vem pra minha cama…
Clara sorriu, achando a proposta, feita daquela maneira meiga e inocente, uma gracinha.
- Ah, eu quero… – disse, com um olhar que só ela sabia fazer.
Mariana a levou, segurando pela mão. Puxou o edredom, ajeitou os travesseiros e a fez deitar.
- Quer que eu faça um chá para você?
Clara sorriu:
- Mariana, não se preocupa. Daqui a pouco vou embora…
- De jeito nenhum. Vai ficar aqui comigo – disse já se levantando para fazer o chá.
Mariana era obstinada quando queria alguma coisa. E queria cuidar de Clara, estar com ela. Clara ficou ali deitada, espreguiçou-se, virou de lado, e sentiu o perfume de Mariana no travesseiro. Era verdade, estava exausta, com o corpo pesado, sentindo-se mal, mas estar na cama de Mariana, sentindo aquele perfume, era estimulante. Na volta, Mariana desligou o vídeo e apagou as luzes do escritório.
Tiago estava dormindo.
Serviu o chá e Clara bebeu, devagarzinho. Mariana ficou ali do lado, observando atentamente aqueles lábios perfeitos. Clara já não estava mais entendendo. Há pouco tempo estava convencida de que Mariana não queria nada. Estava confusa com o corpo de Mariana tão próximo. Largou a xícara perto da cama e virou-se para Mariana. Por um momento, ficaram se olhando intensamente, sem o menor constrangimento. Mariana estava paralisada diante da beleza daquela mulher de olhos azuis. Tinha certeza que ela queria. Clara ficou imóvel, com os olhos fixos em Mariana, com medo de tentar novamente. Mariana, então, aproximou-se para beijá-la. Seus lábios se encostaram suavemente, macios. Mariana sentiu a língua daquela mulher, gostosa e quente, encostar seus lábios e invadir sua boca, lentamente. Aquele beijo encheu seus corpos de prazer, não havia mais como evitar. Segurou Clara pela cintura e a fez deitar. Deitou-se de lado, ficaram se olhando sem dizer nenhuma palavra. Mariana envolveu Clara em seus braços, sentindo as curvas do corpo, a cintura. Tentou conter a respiração e os instintos:
- Clara, se você quiser… Eu deixo você descansar – disse séria.
Clara sorriu, achando a idéia pura demais. Impossível tentar dormir com Mariana ali do lado. Só se estivesse morta. Virou-se por cima e juntaram seus corpos.
Mariana, quando sentiu o corpo pesado de Clara comprimindo o seu, e as coxas entre as suas, ferveu. Quis senti-la de todas as formas, estar com ela por inteiro. A beijou de novo, demoradamente, sentindo a língua suave e os lábios quentes tocarem os seus. Um desejo cada vez mais sufocante dominava o corpo, os braços, as pernas, a alma, como se fosse transbordar. Mariana beijou o pescoço de Clara, bem pertinho da orelha e bem próximo àquele perfume inebriante, sussurrando coisas, de olhos fechados. Tateou as costas, sentindo cada músculo rijo, segurou os quadris e sentiu a saliência do bumbum. Ficou ali, desfrutando daquele prazer.
Tira a roupa, quero você nua, dizia Clara, completamente louca de desejo. Fica nua pra mim, Mariana, fica. Mariana tentava arrancar as roupas. Deixa que eu tire pra você, disse. E lentamente tirou a blusa, depois tirou a calça, tentando se conter um pouco. Mariana a olhava com certo ar de inocência, como se estivesse fazendo amor pela primeira vez. Clara sorria, e olhava aqueles seios descobertos, aquela menina toda nua esperando ser amada. Tirou a própria blusa e encostou os seios nos dela, abraçando-a forte.
- Eu desejei tanto isso, Mariana. Por que você demorou tanto? – perguntou, com a voz doce, lasciva.
Clara fazendo amor era muito sensual, carinhosa e um pouco dominadora, como era de se esperar. Olha pra mim, dizia, quando Mariana mal conseguia ouvir, de tanto prazer que estava sentindo. Mariana olhava aqueles olhos azuis, cheios de desejo. Sentiu Clara a tocando e agarrou-se mais ainda a ela. Clara sussurrava obscenidades no ouvido de Mariana e entrava dentro dela com os dedos. Tá gostoso? Perguntava a todo o momento. Fala pra mim, quero ouvir, pedia. Pede para eu te amar, Mariana. Clara era de alguma forma sádica mesmo, não era só impressão. Mas, partindo daquela mulher linda, nada era vulgar, nada era obsceno, tudo era sagrado, sincero, gostoso de se fazer. Mariana começou a dizer às coisas que ela queria ouvir. Percebeu que aquilo a excitava. Agarrou-se a ela, queria mais, pedia mais, fazia-se de indefesa. Clara sorria, gostava daquele corpo em suas mãos, de brincar entre suas coxas até onde pudesse chegar. Queria ouvir a voz de Mariana implorando carinhos. Soltou os cabelos. Mariana agarrou-se a eles, os segurou entre os dedos, sentindo a maciez e o perfume delicado, e permitiu que aquela mulher a amasse a noite inteira, do jeito que bem entendesse. Estava feito. Sem arrependimento nem culpa.







Pela segunda vez,tenho o enorme prazer de reler esta história fantástica! É um prazer saber que mesmo sendo uma história,existe amor sincero!
Adooooroooooo.
Puxa!!!Chorei não, mas meu corpo chorou caramba!!!
Assim amiga voce me mata!….Eta Clara pego a Mariana de jeito..e que jeito…dominando, pegando, sentindo, tudo de bom!!!
Amiga, pulica isso cara!!!
beijos e não vejo a hora …..do próximo capitulo!
Até que enfim ela resolveu viver novamente…obaaaaa viva a vida..como é bela.
bjs
Eni
MARIANA! MARIANA! MARIANA!
\o/\o/\o/
Tá, eu acho lindo o q ela tem (teve?) com Luísa. Mas… A distância, o sumiço, o frio q Luísa deixou se instalar entre elas deu uma mega brecha para Clara chegar marcando muitos pontos…
Por que você demorou tanto, Mariana???
beijos Tati!
adooooooooooooooro
Bru