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Penúltimo capítulo: Germânica
(por CarolF, adicionado em 25 de Janeiro de 2004)
Sexta-feira… Mariana andava de um lado para o outro, com barulho do salto ecoando pela sala. Olhava a todo o momento para o pequeno relógio prateado no pulso.
- Está atrasada… – dizia a si mesma, ansiosa.
Santiago a observava sentado no sofá, vestindo um pijama azul claro. De repente a campainha. Mariana abriu a porta e olhou a moça com certa reprovação.
- O ônibus atrasou… – já foi dizendo, tentando explicar.
Mariana a interrompeu.
- Não precisa se explicar. Da próxima vez planeje chegar com mais antecedência – disse, ajeitando os cabelos e pegando a bolsa sobre o aparador.
A moça entrou e Santiago correu para dar um beijo em Mariana.
- Vem cá… – disse Mariana, apertando o menino forte em seus braços.
Mariana beijou o rosto dele e arrumou a gola do pijama.
- Não se esquece de escovar bem os dentes.
O menino sorriu aquele sorriso tímido e infantil.
- E me chama pra tomar café com você, tá?
Deu uma piscadinha pra ele e saiu, dirigindo em alta velocidade. Seu destino era um coquetel num luxuoso hotel da cidade, cheio de gente que se achava importante. Mariana chegou sozinha, equilibrando-se pela longa escadaria, passando pelo hall. Uma colega de trabalho acenou e sorriu para Mariana, se dirigindo até ela.
- Você está atrasada! – disse, em voz baixa.
Pegou Mariana pelos braços e a conduziu furando o pequeno bolo de pessoas.
- Dá uma ajuda. Estamos tendo um pequeno problema…
Mariana olhou o emanharado de fios atrás das cortinas.
- Eles contrataram uma produtora para fazer um vídeo. Vamos apresentar aos gringos – disse a moça.
Mariana séria tentava desenrolar os fios e achar alguma lógica ali atrás.
- Quem foi o incompetente que montou isso aqui? – perguntou, irritada por começar a suar naquele lugar espremido.
A mulher continuava dizendo um monte de coisas, absorvida com aquele problema. De repente um estalo forte e uma luz surgem na tela. Estava resolvido. Mariana secou a testa e tentou sair dali ainda com alguma elegância. Dois passos depois notou que um pedaço dos seus seios estavam à mostra. Puxou o tecido para cima e arrumou a alça do vestido, que insistia em não parar no lugar. Tentou alcançar pelas costas o que parecia ser o problema, mas suas mãos não chegavam até lá. Olhou para trás e uma estrangeira de rosto conhecido e cabelo loiro quase branco sorria.
- Posso? – perguntou de uma maneira que aquela parecia ser a única palavra que sabia em português.
A mulher tirou delicadamente o cabelo de Mariana de cima das costas e ajeitou o fecho. Mariana tornou a olhar para trás.
- Muito obrigada.
As duas ficaram se olhando.
- Mariana! – gritou a colega, debaixo das cortinas.
Graças a Deus, pensou Mariana.
- Com licença – disse.
A mulher sorriu de novo, super educada. Mariana saiu correndo. A colega queria agora conectar o computador ao teleprompter para exibir alguns gráficos. Mariana perdeu mais vinte minutos ali e finalmente saiu agitada, procurando algo para beber. Passou uma bandeja com pequenos licores. Mariana pegou um rosado e sentiu o açúcar em seus lábios queimando devagarzinho com o álcool. Encontrou finalmente as pessoas com as quais precisava falar. Entrou na rodinha de senhores que conversavam cheios de ânimo, enquanto os gráficos refletiam nas paredes. Mariana, um pouco desinteressada daquele assunto, tirou discretamente os olhos de cima deles e percorreu tudo em volta. Viu a estrangeira bebendo com alguns homens. Voltou a olhar o homem magro de rosto comprido e nariz curvo que não parava de falar. Mais licor e mais dois homens entraram na conversa. Mariana explicava a eles sobre os gráficos. A panturrilha já doía sobre o salto e o assunto não terminava. Mariana olhou no relógio. Já estava há duas horas ali em pé.
- Com licença – disse.
Estava tonta de fome. Resolveu dar uma volta e tentar achar um aperitivo qualquer. Passo após passo nota alguém atrás dela. Arrisca uma olhada rápida e vê a mulher bem ali.
- Oi – disse Mariana.
- Olá – respondeu a estrangeira.
Deve falar português, pensou Mariana.
- Está gostando?
- Sim, muito interessante. Financiaremos duas das propostas – disse, com bastante desenvoltura.
Falava sim, e bem. Mariana já a conhecia de vista de outros eventos. As duas se olhavam há algum tempo, mas só naquele momento Mariana ligou o nome à pessoa. Chamava-se Sabine, representante de uma organização internacional.
- Eu queria falar com você, depois… Vejo que está muito ocupada agora – disse, olhando Mariana de maneira profunda.
- Tudo bem – disse Mariana.
Voltou a transitar pelo meio dos convidados. Enfim uma mesa com frutas. Pegou um punhado de cerejas e continuou andando, quando foi interrompida por outras duas mulheres. No meio da conversa, Mariana tentava mastigar com certa discrição. De cada cem frases, apenas uma era aproveitável. O assunto começou a ficar enfadonho e o salão começou a esvaziar. Quando estava acertando detalhes com um colega de trabalho, a estrangeira apareceu de novo.
- Será que você pode cedê-la um pouco? – perguntou ao colega de Mariana.
- Claro – disse o rapaz – tudo bem, Mariana, eu termino aqui.
Mariana pegou a chave de sala de reuniões e levou a mulher até lá. As duas entraram e Mariana trancou a porta. A mulher tinha coisas concretas a dizer. Espalhou papéis sobre a mesa e fez propostas com português cheio de sotaque. Trocaram uns poucos papéis que tinham disponíveis. Mariana era apenas o primeiro degrau das negociações, mas passaria tudo adiante.
- Muito bom! – disse Sabine, sorrindo.
Recolheram tudo. As duas de frente para a mesa ajeitavam a papelada dentro das pastas. Sabine juntou-se mais e seu braço envolveu a cintura de Mariana, de maneira quase natural. Mariana parou o que estava fazendo e olhou para o lado. Sabine simplesmente a beijou, na boca, como se assim selasse um acordo. Ficaram assim, com os lábios encostados e a mulher a segurando suavemente pelos quadris. Inclinaram e cabeça e se beijaram mais profundamente e seus corpos finalmente se encontraram frente a frente, com os seios comprimidos entre os delicados vestidos. Sabine beijou o rosto de Mariana, depois a nuca. Mariana fechou os olhos e sentiu os lábios escorregando por cada canto do seu pescoço e um arrepio quente subindo pelas costas. As duas se olharam, sorriram e se despediram com mais um beijo rápido nos lábios. Mariana abriu a porta e Sabine desapareceu entre as escadas.







luiza cade vccccccccccccccccccccccccc
Bem como li atrasado dessa vez deixo aqui o comentario dos dois ultimos capitulos.
Bem quanto ao garoto, coragem mariana!!!É um gesto profundo e do qual ela tem que estar preparada, ainda mais sendo sozinha…e quanto a isso ai , que loucura!!!Do nada a mulher beija, caramba! Uau!!!Aiaiai Luisa cadê voce mulher?
Bem como vai acabar isso ai Taty? Agora será o último..
Bem tá de parabéns toda essa trama , esse drama que escreveu, esse romance, nos prendeu do inicio ao fim…
Beijos no seu coração
Nossa agora ela está aproveitando as coisas boas da vida!!!! Salve Mariana, vamos ver o desenrolar dessa trama. Parabéns está cada vez mais envolvente.
bjs