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Você passou
Quase toca em mim
Quando te olhei
Não pude resistir
Os teus olhos
Brilham como
A luz do sol
E os teus lábios
Como eu desejei…
Encontrei você
O que eu sempre quis
O amor mais profundo
Que eu senti
E eu quero te dizer
A vida é você…
Baby, acredito que eu possa
Te ter aqui comigo
O que eu quero
É te fazer feliz
E te mostrar
Que o amor nunca tem fim
O meu mundo é ter você prá mim…
Outra vez te vi
E percebi, algo mudou em ti
Um sorriso seu me deixou tão feliz
Já senti o seu amor por mim…
Antonia cantava a música com intensa felicidade. Às vezes chorava, pois ainda não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo em sua vida. Desde que encontrou Teresa, tudo passava pela sua mente como um flash e, ao mesmo tempo em que ria, ficava a pensar como ela foi boba em tantos momentos, e como nós seres humanos deixamos de ser feliz por meras vaidades, orgulhos e falta de amor próprio. Foi pensando assim que viu sua mãe entrar e lhe beijar com carinho no rosto, dizendo que Joaquim estava dormindo tranqüilo.
Antonia a abraçou e lhe disse que era grata pela mãe que tinha, por tê-la aceitado e amado, que esse amor maternal a tinha ajudado muito a crer que havia espaço para ela nessa vida para ser feliz como era, e que a felicidade é também deste mundo terreno. Elas se abraçaram e sua mãe lhe falou que amar não tem e nem pode ter fronteiras: você ama a chuva porque ela faz bem a tudo e a todos, mas não vê sua cor; você ama os animais e não vê a sua forma ou tamanho; você ama as flores pelo que elas exalam e, os seres humanos, então amamos pelo bem que fazem, pelo bem que falam e pelo perfume que exalam de seus corações. “Por isso” – dizia sua mãe – “te amei desde que a concebi, e amarei a vida toda porque você é uma filha maravilhosa, se mostrou ser uma boa esposa e uma mãe amorosa e dedicada, o que posso querer mais?” – perguntou-lhe, sorrindo.
- Tônia.. Tônia!!! – chamava Teresa, do outro quarto.
- Já vou, amor, já vou! – respondeu Antonia, que se levantou e se dirigiu ao quarto.
- Você já viu o vestido? Gostou? Era assim que queria?
- Claro, amor, está esplêndido! Rosa salmão, como eu queria! Você não existe… – e lhe beijou.
- Amei o meu também e já podíamos nos arrumar, o salão está todo pronto e ficou lindo, você viu?!
- Claro que já! Joaquim está dormindo, é bom assim, porque na hora ele estará descansado.
As duas foram se arrumar. Antonia e Teresa, depois do pedido de casamento, resolveram fazer uma pequena recepção apenas para os mais íntimos, abençoando sua união mais do que concretizada. Passaram dias planejando e queriam tudo muito harmônico e simples, nada exuberante demais. Teresa, sendo artista plástica, pensou em cada detalhe e Antonia, com seu talento, simplicidade e leveza das flores, encheu o ambiente de muitas delas, fazendo arranjos delicados e perfumados.
Escolheram roupas leves: Tônia vestiria rosa salmão e Te, verde folhagem. Eram vestidos com tecido bem fino, que caiam com suavidade sobre seus corpos, assim como sentiam seus corações. Já para Joaquim, um conjunto feito do mesmo tecido de cor amarela bebê, contrastando à sua pele morena e a seus cabelos bem pretos. Ele já estava com dois anos e seguraria as alianças.
Eram mais ou menos uns 100 convidados, que foram chegando aos poucos. Familiares, amigos que já conviviam com as duas, seja profissionalmente ou por amizade social. Amigos que compartilharam de seus conflitos e da luta para viver este amor que a todos deixava emocionados.

O salão já estava repleto, todos haviam chegado. À frente, um sacerdote budista, amigo de Antonia, que freqüentava o templo há algum tempo, aguardava para dar inicio à cerimônia de bênção daquela união. As duas entraram e os olhares de todos eram de admiração, pois estavam lindas! Joaquim, de mãos dadas entre as duas, também estava encantador e entrou com elas, mas chegando à frente foi para o colo da avó e lá se manteve quietinho.
E o sacerdote, muito sorridente, iniciou suas palavras assim:
- Queridos amigos e amigas presentes, que o Deus que há em mim saúde o Deus que permanece em todos. Estamos aqui, nesta tarde de primavera em que a natureza nos convida a brindar as vidas de Teresa, Antonia e Joaquim e, para compartilhar com eles dessa felicidade, digo que Deus nos fez para a felicidade e os seres humanos possuem tudo para viver esta plenitude, mas muitas vezes deixam-se levar pela mesquinhez dos pensamentos turvos cheios de dor, de angustia, de tristeza e pesar. Onde deveriam ver amor, vêem sujeira; onde deveriam ver beleza, vêem sombras; onde deveriam ver felicidade, vêem luxúria e, quando poderiam perdoar, preferem se encher de rancor e maldições. Por isso, estamos aqui para pedir ao Pai que ilumine suas vidas, nossas vidas, conduzindo-as à felicidade e que sempre possamos contar com a parceria, com a cumplicidade e com a sinceridade, base das relações verdadeiras construídas no amor sutil das almas que têm Deus em suas vidas. Peço que todos ergam suas mãos em direção as elas e que emanem as melhores vibrações de amor e bênçãos; que elas sintam a presença de Deus neste momento, fortificando seus laços, e que tenham a consciência de que a importância desse amor é mais para o Pai do que para os seres humanos. Podem pegar a taça e brindem este amor. Joaquim traga aqui as alianças de suas mães, querido. Coloquem a aliança, queridas, e podem se beijar.
Todos se levantaram e se abraçaram. Pequenos potinhos estavam ao lado das cadeiras; cada um pegou o seu e, de lá, tiraram pétalas de flores que foram jogadas sobre elas. Eram de varias cores e aromas. Elas saíram e foram cumprimentar a todos.
Assentaram-se e todos foram sendo servidos. Já havia se passado umas três horas e, quando todos estavam dançando, Teresa pediu que se sentassem, pois ela queria dizer algumas palavras.
- Bem, eu e Tônia queremos agradecer a presença de todos e dizer que vocês foram testemunhas de um amor que lutou e quebrou muitas barreiras, mas mais do que as barreiras do mundo, quebramos as barreiras intimas. E hoje, se estamos aqui com amigos e familiares, é porque também tivemos o apoio e a cumplicidade de todos, mas se não acreditássemos nesta relação e em tudo que ela podia proporcionar nada teríamos conquistado. Portanto, quero aqui dizer, na frente de todos, o quanto amo esta mulher e o nosso filho e, acreditando também em outras vidas, tenho a certeza de que nosso reencontro será de almas. Antonia te amo e amarei sempre!
Neste momento, segurou a mão de Antonia e a beijou.
- Carlos, por favor, coloque a música.
No dia seguinte após a emocionada festa, ambas partiram para uma deliciosa viagem em alto mar…
No navio, Teresa segurava a mão de Antonia, e tomavam à fresca vendo as águas tranqüilas lá embaixo, quando uma senhora se aproximou, perguntando se elas namoravam. Antonia respondeu que não, que eram casadas e questionou o porquê da pergunta. A senhora, um pouco sem graça, disse que tinha uma filha que era lésbica e que estava sendo muito difícil, pois o marido não aceitava, mas que amava a filha assim mesmo. Antonia disse a ela que, mais do que a filha ser diferente, o problema estava em lidar com o que não é comum na sociedade, pois independente da identidade sexual, tudo que a humanidade não dá conta de explicar, o primeiro passo é repudiar, mas ia depender dela viver isso com a filha, amando-a e a compreendendo, ou rejeitando-a e a deixando experenciar sozinha.
A senhora saiu agradecendo e se despediu.
Teresa beijou Antonia profundamente e disse que estava com saudade de Joaquim, mas amava ter a sua mãe Tônia só para ela. E rindo, Antonia a beijou, concordando. O sol estava se pondo e as convidava a se recolherem para um banho na deliciosa banheira da suíte. Tiraram as roupas, entrando na banheira de sais e aromas que pediram para preparar. Em pé, dentro da banheira, se beijaram, beijaram as alianças e se olharam nos olhos com tanto amor, que Antonia apenas disse:
- Amor, nossa história é real e vamos torcer para que muitas outras mulheres como nós, também acreditem que…
Nesse instante, foi beijada por Teresa, que completou:
- … Que amar é uma luta diária, mas no fim do dia, ver o sorriso do ser amado é o maior presente de Deus!
Beijaram-se e se amaram toda a noite, concretizando em suas caricias toda a expressão do amor que construíram.
Queridas leitoras, a saga de Antonia e Teresa chega ao fim, para nós, pois para elas é apenas o começo de uma nova etapa. Agradeço a todos que compartilharam dessa linda e instigante história de amor. Mas já aviso que outras histórias virão e contarei com a presença de todos e com seus comentários.
Um grande beijo em seus corações e nunca deixem de ACREDITAR NO AMOR!
Cátia Aguiar








Nossa lindo final, contagiante e emocionante. Você nos fez pensar em muitos pontos e jamais deixar de acreditar no amor verdadeiro, pois muitas vezes temos esse amor e deixamos esvair pelos dedos. Parabéns maravilhoso!!! bjs
Querida Catia…
Que lindo o último capítulo!!
Não poderia imaginar um melhor… Completo, perfeito!
E é como você disse: esse final, na verdade, é apenas o começo… Mas um começo que já traz uma estrutura e uma base para uma união a cada dia mais feliz!!
Amei!!
Concordo com a Dulce, essa história merece um livro!!
Beijos, parabéns!!
Ma ra vi lho so! Amei o final, meus parabéns!
Aguardo a proxima saga.
Bjos no coração
A-D-O-R-E-E-E-E-E-I-I-I!!!!
Não poderias ter montado um final melhor, lindona!!
O amor é pra ser celebrado sempre e curti demais perceber esta “vibe” nas tuas linhas!!
Só tenho a dizer-te: PARABÉNS!!
Sou fã!
Bitocas… avassaladoras!
Muito bom esse capítulo final… valeu a saga e a espera!!
Beijo, querida Cátia
Querida
Este último capítulo lindo, valeu a saga toda….
Muito bom!!!
Bjo
Querida Catita,
Nem que eu tentasse, não conseguiria expressar a você o que senti ao ler cada capítulo desse conto.
Doce, intrigante, sedutor, envolvente, lindo!!!
Você nos cativou a cada cena e eu simplesmente não conseguia parar de ler…
São histórias como essa que devem ser passadas adiante para a evolução do ser humano!
Adoro você, querida! Parabéns, com muito orgulho!
Beijos!
Querida Catia,
Adorei acompanhar a saga de Antonia e Teresa uma linda história de amor!
“os seres humanos, então amamos pelo bem que fazem, pelo bem que falam e pelo perfume que exalam de seus corações.”
Pura verdade o seu brilhante pensamento acima, amar é estar junto da pessoa amada com a idéia de serem felizes para sempre.
Meus parabéns!
Beijos
MANDOU BEM CATINHA…COLOQUE ISTO NUM LIVRO, MENINA!
FANTASTICA A CONCATENAÇÃO DAS IDEIAS.
PARABENS MESMO.
PRENDEU O PUBLICO.
UM GRANDE BEIJO
Cátia
Uma história de amor não poderia ter uma apoteose mais apropriada que a celebração do sentimento. Torço para que seus textos sejam sempre intensos, belos e reflexivos, e também que em nosso universo real as barreiras do preconceito caiam e nossos amores possam ser vividos e compartilhados SEM PRECONCEITOS.
Para você felicidades, sucesso, muitos textos e um grande amor é claro!
Beijos
Amar como se não houvesse amanhã.
Amar no infinito.
É isso!
beijos
Bru