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Era tarde e Carmem chorava baixinho para ninguém ouvir. Por mais que aumentasse a ducha do chuveiro, seus gritos e lágrimas eram altos. Havia acabado de brigar e discutir com sua irmã, mas seu maior conflito era consigo mesma. Havia algumas semanas – na verdade dois meses, desde que conhecera Alicia -, que sua cabeça tinha virado do avesso.
O Natal, época do ano que adorava, havia sido sem graça e esquisito. Bebeu para dar conta de toda aquela verdade que a incomodava: era LÉSBICA! E como seria dali para frente? Tudo ainda estava muito confuso em sua cabeça. Por que sempre namorou homens, por que isso não aconteceu antes? Não tinha amigas lésbicas e nem sabia onde freqüentar, como seria sua vida dali em diante?
Carmem não sabia o que faria no Ano Novo, porém talvez ficasse mais uma vez sozinha, como acontecia há tantos anos. Não via Alicia há duas semanas e no Natal apenas mandou uma mensagem, à qual ela respondeu calorosamente. Estava na cozinha de sua casa, novamente entre elucubrações e devaneios que a perturbavam, tendo taquicardia todos os dias… Percebeu, com isso, que seu nível de ansiedade estava alto e precisava fazer alguma coisa, pois acreditava que a qualquer hora enlouqueceria de tanto pensar!
Alicia teve um Natal fraquinho, não por ser com seus familiares, mas por “sentir falta daquela mulher fascinante e confusa…” – pensava com seus botões, enquanto um riso invadia sua face. Sua intuição era muito boa e, quando uma relação não era para ter sucesso, logo sentia. Como sempre consultava o I Ching, acreditava naquelas pedras, no oráculo que Jung usava em seus atendimentos. Alicia não era muito espiritualista ou acreditava não ser. E, naquela noite de Natal, Carmem jogou e a resposta que veio foi de encontro à sua intuição: foi dito que ela não desistisse, pois teria frutos.
O telefone tocou e Carmem atendeu. Era Alicia que, meio sem jeito, estava convidando-a para sair. Carmem, confusa, queria e não queria, mas ao ouvir a voz de Alicia – que tinha o dom de acalmá-la e fortalecê-la – decidiu que sim e marcou o encontro. Só que, dessa vez, era Alicia que iria pega-lá de carro em sua casa.
Já no shopping, que estava cheio, mesmo depois do Natal, sentaram-se na praça de alimentação. Carmem, estranha e um pouco triste, olhava para Alicia com receio e indiferença. Alicia, apenas preocupada e pacientemente, observava Carmem com carinho e desejo. Pegou sua mão e a olhou intensamente. Carmem, por sua vez, ao ver aqueles olhos, sentiu um arrepio e começou a chorar, devagar e baixinho, pois estava em público.
Alicia a abraçou e disse que iriam para outro lugar. Levou-a para a sua casa, pois lá estariam mais à vontade para conversar. Chegando lá, Carmem chorou, chorou, chorou e se aninhou em seus braços como um bebê. Deixou-se embalar, recebeu carinho, abraços e apenas o silêncio. Era muita dor… Carmem chorava como há muito não fazia e Alicia, pacientemente, a acolhia – naquele momento, percebeu que amava Carmem. Daria tudo de si para ela ficar bem. Aquele conflito ela já havia vivido há muito tempo e poderia agora acolher aquela que já habitava seu coração.
Já era tarde quando Carmem acordou e deu de cara com Alicia, que velava o seu sono com o olhar terno e cheio de carinho. Beijaram-se profundamente e percebeu como gostava de Alicia e que isso não era confuso… Então, por que tanto sofrimento? Bem, foi assim que lhe falou:
- Amor, adoro você e gostaria de saber por que tanta confusão?
- Carmem, querida, tudo isso vai passar, eu sei, porque sinto que gosta de mim. Meu corpo e meu coração sentem isso.
- Ai, Alicia, não queria estar passando por isso, você é uma mulher maravilhosa e deveria estar com uma mulher menos confusa e já resolvida, não acha?
- Me diga, quem nessa vida é perfeito e não possui conflitos? Amor, você também é fantástica, divertida, inteligente, carinhosa e só está passando por um período difícil, só isso.
- Você é muito boa, meu Deus!
Abraçaram-se e foram lanchar. Alicia, então, fez o convite para viajarem no ano novo para uma pousada em meio às cachoeiras. Descansariam e ela teria, então, mais espaço para respirar. Carmem, feliz, aceitou e logo perguntou se elas se hospedariam como amigas ou namoradas. Alicia disse que tudo dependia dela, mas que por ela poderiam se hospedar em um quarto de casal.
No dia 30, saíram bem cedo de carro e subiram o vale. A pousada era linda e encantadora. A dona da pousada as recebeu bem e Carmem, que estava toda receosa, logo se tranqüilizou. O quarto era gostoso e aconchegante. Estava maravilhada, mas ao mesmo tempo achando tudo estranho. Chovia muito e o lugar era sossegado e harmônico.

Na noite da chegada do ano novo desceram para um jantar servido pela pousada. Todos estavam felizes e rindo muito. As pessoas eram receptivas e Carmem se sentiu muito bem. Após o jantar todos foram ver os fogos, mas as duas subiram para o quarto. Carmem pediu para Alicia abrir um vinho enquanto ia ao banheiro. Alicia vestiu sua camisola e Carmem pediu para colocar meia luz.
Qual não foi o olhar surpreso de Alicia ao ver Carmem em uma linda lingerie preta e vermelha com uma minúscula calcinha e cabelos soltos. Ela suspirou, perdeu a voz, apenas olhava e seus olhos a desejavam. Mas Carmem não era mesma. Aquela mulher chorosa, triste e debilitada tinha ido embora e uma mulher charmosa, forte, sensual estava ali com um olhar irreconhecível! Pegaram as taças e Alicia já queria possuí-la.
Carmem a beijou suavemente e lhe disse para esperar e apenas beberem o vinho. Estava difícil conter Alicia. Beberam umas três taças de vinho e Carmem deitou-se sobre Alicia colocando sua intimidade sobre sua boca que mordia de leve e respirava profundamente de tesão. Carmem a tocava e beijava vorazmente, mas não deixava Alicia a tocar, por que se deixasse o clima seria perdido e ela queria uma noite especial.
Carmem desfilava com a lingerie e a taça de vinho e Alicia não a reconhecia, apenas suspirava e a desejava. Foi quando Carmem a pegou pela cintura e dançou ao som de Zizi Possi em “Sabrás que te quiero”. Um momento único e mágico. Taças a mesa e duas mulheres apaixonadas a deslizarem naquele quarto. Carmem então pegou Alicia e a deitou sobre a cama. Alicia a olhava com o coração transbordando de emoção e apenas sorria e lhe dizia que aquela visão era deslumbrante e jamais esqueceria.
Deitadas se enroscaram, se beijaram, se tocaram, se lamberam e foram a um lugar onde somente o prazer e o amor podem levar todas as amantes e ao findar daquela noite com os corpos suados, olhos encharcados de prazer, lingerie ao chão, taças vazias as duas enamoradas e amantes chegaram ao novo ano carregadas da esperança de um ano cheio de promessas e muito amor.







Que sonho, maravilhosa vc Catia, apaixonei
Parabéns amiga
Catia querida…
Me desculpe a ausencia… Eu tenho lido todos os capitulos e deixado pra comentar “daqui a pouco” que eh como eu tenho feito as coisas… Nao raro eu acabo com os meninos no colo, fraldas e etc… e o daqui a pouco fica longe demais…. Perdoe esta pessoa aqui???
Estou adorando os capitulos e Cada vez mais torcendo para que Carmem e Alicia fiquem bem e que as confusoes sejam apenas tormenta passageira….
Beijos e… jah ta pronto o proximo????
Marilia
meus parabéns uma história cada vez mais sedutora continue assim e denovo meus parabéns beijussssssssssss as:baby
Querida Cátia,
Novas emoções dessa história que nos embala cada vez mais!
Parabéns, você tem o dom!
Beijos, saudade!!
Um conto excitante e estimulador. Muito maravilhoso o conto. Parabéns. Beijos.
Catita querida…
Esse teu conto tem nos mostrado que, mesmo nas dificuldades, podemos encontrar motivos para recomeçar e criar um final feliz!
Isso ainda vai dar muito samba pra gente ver!! Adooooooro!
Te admiro muito, moça!
Bitocas… avassaladoras!