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São Paulo – Uma pesquisa do Ibope Inteligência divulgada no dia 28 de julho mostra que 55% dos brasileiros não aprovam a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Entre homens temos 62%, entre mulheres 49%. Os católicos que também discordam ficam na margem dos 51%, já os evangélicos e protestantes ficam em 72%. Tivemos uma proporção de 55% contrária a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a união de casais do mesmo sexo.  O estudo realizado entre os dias 14 e 18 de julho mostrou que as pessoas menos incomodadas são as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados e as classes mais alta.

Sobre a decisão do STF temos 63% dos homens e 48% das mulheres contra. Entre os jovens de 16 a 24 anos vamos ter 60% favoráveis e os acima de 50 anos ficam na margem de 73%.  Em nível de escolaridade temos com quarta série do fundamental 68% contra e 40% da população com nível superior compartilham da opinião. Já em meio aos religiosos vamos ter 77% dos evangélicos contra e os católicos se dividem em 50% a favor e 50% contra a união estável.

TOLERANCIA – Apesar da maioria contrária a pesquisa revela que o brasileiro, de modo geral, é tolerante com o homossexual em seu cotidiano. Tivemos 73% que revelou que não se afastaria de um amigo se ele revelasse ser homossexual, já 24% se afastaria muito pouco e 29% não souberam responder. A maioria disse aprovar totalmente que os gays trabalhem como policiais, professores e médicos. Mas a maioria se mostra resistente a medidas que possam denotar algum tipo de apoio da sociedade a essa questão, como, por exemplo no caso da união estável. A pesquisa ouviu 2002 pessoas com mais de 16 anos em 142 municípios do país, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Fonte: Jornal Estado de Minas, folha Nacional, página 8, 29 de julho de 2011

Depois que li essa matéria, fiquei refletindo e analisando a pesquisa citada, chegando a algumas considerações que trago até vocês para pensarmos juntos.

Quando eles afirmam que 55% dos brasileiros não aprovam a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, não estão falando do nosso Brasil, com 27 Estados (dado de cinco anos atrás) e, como o próprio Ibope afirma, a pesquisa foi feita com 2002 pessoas. Podemos levar em conta essa quantidade de pessoas em um Brasil que possui 190,7 milhões de habitantes (dados de 2010)? Essa estimativa não chega nem perto da verdadeira opinião do brasileiro e a pesquisa nos mostra isso, com a quantidade de pessoas e de municípios pesquisados. Vale lembrar que estamos falando de um país que possui  5564 municípios (dados de 5 anos atrás)! E a matéria  nos fornece dados de 142 municípios, não chegando nem a um terço do que possui o país.

Levamos em conta também os religiosos e sua porcentagem, que  não deve corresponder a um valor real, tendo em vista a parte ínfima de municípios pesquisados, pois sabemos que muitas das nossas lutas são barradas por religiosos que, na verdade, estão bem afastados da mensagem de Jesus: “amai uns aos outros como eu vos amo e a Deus sobre todas as coisas.”


Já na parte da tolerância, percebamos o texto da matéria: Apesar da maioria contrária a pesquisa revela que o brasileiro, de modo geral, “é tolerante com o homossexual em seu cotidiano.” Que tipo de seres somos ou que mal fazemos para as pessoas terem tolerância conosco? Segundo o dicionário: tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moralculturalcivil ou física. Baseada nesse significado, me pergunto: somos contrários a qual regra? Moral, cultural, civil ou física? Pensemos nisso: as pesquisas, matérias de jornais e revistas devem passar por um critério de observação, reflexão. Necessitamos ler o que está nas entrelinhas, lugar onde muitas mensagens são enviadas. Atualmente, vemos muitas matérias a respeito da temática homossexual e nós, que pertencemos a essa identidade sexual, devemos estar atentos ao que lemos ou escutamos. E, trazendo o conceito de tolerância, segundo Locke : «parar de combater o que não se pode mudar». Que, um dia, toda a humanidade possa ver e compreender que não devemos combater o que não se muda. Não se muda a raça, as escolhas do próximo, quem o coração ama, a identidade sexual, mas podemos mudar e, mesmo assim, apenas se o indivíduo quiser, o drogado, o traficante, o assassino, o menino de rua, o político corrupto, o religioso intransigente e todo aquele que, sem amor, viu na rejeição a dor da solidão.

Beijos e fiquemos atentos.

Cátia Aguiar

This post have 4 Comments. Would you like add one?

  • Samyra Almeida - 20 de agosto de 2011

    É preciso RESPEITO diante das diversidades de cada um. Parabéns pela matéria amiga! Bjos…

  • Ana Maria - 17 de agosto de 2011

    Valeu, mto boa sua reflexão, apontou algumas observações que eu pensei ao ler o artigo sobre a pesquisa. Repito sua observação “fiquemos atentos”.
    Beijos Encanto!!!

  • catia - 17 de agosto de 2011

    Catita
    Valeu, mto boa sua reflexão, apontou algumas observações que eu pensei ao ler o artigo sobre a pesquisa. Repito sua observação “fiquemos atentos”.
    Beijos Encanto!!!

  • Taty - 17 de agosto de 2011

    Que triste realidade essa que o Brasil nos demonstra, Catita… mas que bom que existem manifestos como o seu, que nos fazem pensar mais longe e acreditar na evolução do ser humano!

    Não se pode desistir nunca!!

    Um beijo grande de quem te admira muito!

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