
Despeço-me. Não porque tenha dado algo errado, mas porque eu simplesmente cansei. Fecho a porta e ouço aquele som oco e seco. Lá dentro sei que choras e que lamentas não ter me impedido… De entrar na tuavida e de ter saído dela. A vida é assim. O que uns querem, nem sempre é o que o outro deseja.
Desço as escadas, abro a porta da rua e saio. Assim, simplesmente. Para nunca mais voltar. Jogo fora tua foto na primeira lata de lixo que encontro. Dobro a esquina e já me esqueço que um dia estivemos lado a lado. Para no primeiro bar, peço uma cerveja, sento ao lado de um rapaz moreno e suado. Ele nem me nota.
Aliás, o mundo não me nota. Só você percebia, assim mesmo porque eu batia na sua porta. Quantas frases já escrevi? Não me lembro. Perdi a noção das palavras que formei em 35 anos de vida. Muitas linhas escritas foram para você que nunca deu bola. Lia e jogava os bilhetes fora. Assim, como se fossem uma página de jornal.
Tua displicência foi teu maior pecado. Bem como tua eterna segurança a tua forca. Aos poucos, a corda foi apertando até faltar o ar. Esse mesmo que eu não queria sentir e você deixava entrar em meus pulmões.
Você nunca percebeu que eu queria ser um pouco sufocada? Nunca pensou em tirar, só um pouquinho, a forca de você e passá-la no meu pescoço? Por acaso achou que eu seria eternamente sua? Pois, veja só, o eterno não existe. Assim como ninguém é de ninguém.
Sim, encontrei outra pessoa. Não, ainda amo você. Sim, estou confusa. Não, não quero mais você. Quero ficar sozinha. Um tempo para mim. Olho para o lado e lá está ele, o rapaz moreno e suado. Ele termina a ligação dizendo: “te amo, viu?” Vira-se para mim e pergunta meu nome. Respondo que me chamo Victoria. Então, passando a mão suja na testa, me diz: “moça, você é linda, mas não é para o meu bico, não”.
Indignada, me pergunto: “como assim?” Então me lembro que disse a você que o mundo não me nota… Parece verdade. Pago a conta e saio sem rumo. Minha casa era a nossa casa. Minha vida era a nossa vida. Estou perdida. É tudo culpa da despedida.
Por Andrea Lucia Barros







Despedir-se alimenta em nós um sentimento inexplicável.
É simplesmente despedida, essa sentimentalidade brutal que toma conta de tudo.
Beijos